Oficina de Caleidoscópio

 

DA NECESSIDADE DOS CALEIDOSCÓPIOS

 OU

 SONHAR É PRECISO

 

O caleidoscópio é o território do sonho.

Um simples gesto, um leve alçar de mão, e uma postura de quem - luneta à vista - perscruta segredos inimagináveis, e o olho itinerante passa do cotidiano, às vezes insosso, às vezes amargo, para o mágico reino das cores e formas cambiantes.

 Nele, as incessantes mutações dos cristais coloridos, as contínuas combinações, o-que-é-agora-não-está-sendo-mais-já-é-outra-coisa, levam-nos à consideração da frase-símbolo de Ortega Y Gasset: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias”. Assim, também, o ser inserido num contexto que, face do que sucede, apresenta um mosaico a cada instante.

Desta forma, o eu e as circunstâncias formam, a cada novo instante, em face da fluidez dos acontecimentos e da interação mútua, um novo e original desenho no painel caleidoscópico da Vida.

Não creio haver sido por acaso que Giovanni se apaixonou pela feitura de caleidoscópios. Estou certa, ao contrário, de que foi uma opção pelo sonho. Sonho entendido como uma realidade maior.

 

RECADO PARA GIOVANNI

 O mundo precisa, cada vez mais, da magia dos caleidoscópios,

 pois o “Sonho dos Acordados” ainda é o melhor sonho.

Sonhar é preciso.

   Maria do Carmo Barreto Campello de Melo

Poeta, membro da Academia Pernambucana de Letras

E entusiasta de caleidoscópios.

Fim de setembro/83.(*)