Oficina de Caleidoscópio

 

A BASÍLICA DE DOM BOSCO, DE BRASÍLIA-DF

E OS CALEIDOSCÓPIOS DO MESTRE GIOVANNI BOSCO, DE PAULISTA PE.

Ana Maria Bérard de Paiva*

 

Há mais ou menos vinte anos, recebi de minha prima, Myriam Gusmão de Martins, um caleidoscópio do Mestre Giovanni Bosco. Porém, somente no ano passado vim a conhece-lo pessoalmente. Parece que nossa amizade começou, sem sabermos, mesmo antes daquele dia em que fui presenteada com o primeiro caleidoscópio, embora fôssemos totalmente desconhecidos. Eu sabia apenas que havia sido construído por um mestre-artesão, amigo da minha parenta, com ateliê, àquela época, em Olinda.

 

Que relação eu encontro entre a Basílica de Dom Bosco, em Brasília, e os caleidoscópios em vários tons de azul, construídos a meu pedido, por Mestre Giovanni Bosco? Acredito que vá além da coincidência de nomes. Os vitrais daquele templo, em dezenas de tons azulados, parecem mesmo uns instantâneo tirado dos caleidoscópios monocromáticos de Giovanni Bosco, ou serão os desenhos desses caleidoscópios os mesmos painéis de vidros de Dom Bosco em variedade e movimento infinitos?

A luz filtrada pelos vitrais da Basílica me transmite uma paz celestial, principalmente quando meio deserta, silenciosa e não sendo hora de ofício; quando contemplo os caleidoscópios também me inundo de uma tranqüilidade e alheamento quase místicos. E ainda sob esse efeito mágico, ou até mesmo religioso, penso em rosáceas dos vitrais de catedrais antigas, em lugares longínquos.

Imagino que muitas pessoas de minha geração sentem certo fascínio por esse brinquedo – que eu considero mais do que isso – pois quase sempre, e talvez até de maneira efêmera, quando crianças tiveram em suas mãos e devem ter guardado na memória aqueles minúsculos pedacinhos coloridos formando tão variados, “imprevistos” e encantadores desenhos.

 Podemos ir mais longe e chegar àquela filosofia tão simples: “a felicidade é feita de pequenas coisas”.

Como escrever sobre caleidoscópios sem citar a tão querida Cecília Meireles, que tantas vezes fez menção a este objeto lúdico e quase mágico?

Quem se inclinou para vê-las?”

“Pus caleidoscópios  de estrelas

entre cegos de ambas as vistas.

Geometrias imprevistas,

Quem se inclinou para vê-las?”

Que a exposição do Mestre Giovanni Bosco tenha justamente o efeito contrário desse desabafo melancólico de Cecília Meireles, e que todos nos inclinemos para ver, admirar e sentir as fantásticas “geometrias imprevistas” de seus maravilhosos caleidoscópios.

*Professora aposentada e colecionadora de caleidoscópios.